" ... Estamos indo embora, sim. Mas naquele momento ainda estávamos ali. "
Editora: Novo Século | Novos Talentos | Páginas: 350 | Ano: 2014 | Gênero: Romance | Drama
O melhor livro que já li neste ano, e se eu não estiver enganada o melhor da nossa literatura juvenil até o momento, para mim. ' Uma vida para sempre ', me mostrou tantas coisas além de ter me deixado tão fragilizada e não pense que é pelo conteúdo abordado, só não sei explicar. Ao longo desses anos aconteceu tantas coisas e algumas delas eu nunca imaginei que pudesse acontecer comigo como o falecimento de minha avô, uma pessoinha que eu como neta que vivia com ela deveria ter dado o devido valor enquanto ainda podia, mas infelizmente como uma neta desvairada eu deixei muitas coisas passarem e o valor também, errei e fui infantil, mas só diante da morte nós nos vemos diante da dor e do arrependimento, engraçado que este livro por mais que pareça ele não tem nada disso, existe a dor, porém ela é vista de uma forma singela e linda que é difícil não se emocionar mas pelos sentimentos certos. Sem dúvida está é uma grande história e merece o reconhecimento, e com está resenha tentarei fazer minha parte.
Nesta linda história conhecemos Ethel, uma menina de 17 anos que se encontra em um condição rara, ainda muito nova foi diagnóstica com uma doença cujo a abreviatura é CIPA ( Insensibilidade Congênita à Dor com Anidrose ), ela não sente dor e nem a temperatura, não se incomoda com o calor ou o frio, pode não parecer serio mais é muito serio. Quem nunca desejou um dia ou pensou na possibilidade de não sentir dor? Eu mesmo em algum momento desejei isso, porém não se engane pode até parecer favorável as vezes, mas essa condição não é algo bom para nós, pois tudo que ocorre em nosso corpo nós sentimentos, não precisa ser necessariamente uma dor forte, mais a dor é o sinal de que algo está errado em nosso organismo, só que Ethel não sente absolutamente nada, suas doenças não tem sintomas, e isso é muito ruim para quem deseja uma vida longa e saudável.
Por essas razões Ethel frequenta o hospital semanalmente para fazer exames de rotina e fisioterapia, sua vida se resume a isso, casa - hospital, porém ela não se incomoda pelo o contrário é tudo que mais gosta de fazer durante a semana, ir ao hospital para que possa conversar com seus amigos, um deles um senhora chamada Gertrud de 81 anos que faz hemodiálise e um garotinho chamado Max de apenas 8 anos que luta contra a leucemia. Desde muito cedo ela convive com a dor da morte, ou seja ela tem a convicção que a morte é inevitável, ela chegará para todos as vezes cedo demais porém é a morte e não tem como fugir dela.
Ethel
é um menina muito especial, desde o início fica bem claro mas não por sua
condição rara, e sim por sua força e garra em manter suas convicções, nem mesmo
diante da dúvida ou dor ela fraqueja, pelo menos não por completo e admirei isso
nela, hoje em dia é muito difícil encontrarmos pessoas assim, e mais uma vez
conheci uma personagem que me mostrou o quão estamos longe do ideal.
Mas
como eu já disse anteriormente neste livro existe outros personagens o que
deixa a história muito melhor, são personagens que fizeram muita diferença, a
Gertrud me fez sentir falta de minha avó, que era assim como ela tão jovial e
livre apesar da idade avançada, e a melhor amiga de Ethel chamada Catarina, que
se mostra ser leal a ela porém não consegue viver entre o sofrimento e por
vários momentos se recua deixando Ethel, querendo apenas ser uma garota normal
com amigos saudáveis ao seu lado e isso é super compreensível, pois apesar da
amizade há pessoas que não suportam, alguns dizem que são fracos, porém eu acho
que são bem fortes, as vezes precisamos respirar um pouco e é isso que ela faz,
só que sempre volta, e isso me fez lembrar de mim mesma, eu fui assim por um
bom tempo deixando as pessoas que eu amava, recuando e voltando para mostrar
que quem ama sempre volta.
E
como personagens nunca são demais, surge mais um para esta roda de amizades
verdadeiras e inesquecíveis, um garoto de 19 anos chamados Vitor . Vitor luta
contra o cancêr à 1 anos e após mais uma tentativa fracassada ele é internado
no hospital que Ethel faz fisioterapia e lá se conhecem, a conexão entre eles
foi imediata. A amizade deles é difícil pois sua mãe é super protetora e não da espaço para que ela viva como quer realmente viver, e principalmente não deixa à sua escolha de quem deve ser próxima, essa proteção sufoca Ethel só que sua mãe não consegue entender, é como se criasse um mundo onde há forças armadas prontas para atacar qualquer pessoa que se aproxime de Ethel se o sinal sonoro apitar, assim é a mãe de Ethel, e infelizmente para ela Vitor é uma péssima companhia.
Mães são quase sempre sufocantes e agem mal em diversos momentos achando que vão proteger os seus filhos se eles agissem da forma que elas querem, a minha é desta forma e não sei como ainda não enlouqueci, kkkk .. Desta forma Ethel passa a mentir para a sua mãe para que ela possa visitar seus amigos e Vitor, porém as mentiras sempre tem pernas curtas, e a verdade é revelada. E não diga que eu não avisei a verdade é sempre a melhor opção.
"...Enquanto outras pessoas sonham em se tornarem famosas, ficar ricas, ir á lua ou encontrar o amor de suas vidas, Vitor e eu, cada um a sua maneira, sonhamos apenas com o futuro, afinal, acho que a beleza dos sonhos não esta em somente realiza-los, mas também em tê-los..."
Além dos personagens e das histórias que são comoventes, vemos a libertação de uma mãe com temor da solidão, da morte, é lindo essa abordagem. O livro todo trata dos sentimentos que são sentidos ao vermos a morte próxima, o que deve ser feito, mas não para que ela se afaste e sim o que deve ser feito para aproveitar o máximo antes que seja tarde.
"...-Eu Cheguei a pensar que poderíamos viver algo incrível, Ethel. Caramba, como eu quis isso. Mas parece que alguém lá de cima realmente não gosta de mim! Antes, quando eu queria que tudo acabasse de uma vez, ele fez com que eu me arrastasse por sobre a terra, contrariando qualquer expectativa. E agora que eu quero viver alguma coisa nesta porcaria de mundo, eu preciso dar adeus..."
0 Comentários