Resenha | Desintegrados(Fragmentados - Vol.2), de Neal Shusterman - Cantinho da Leitura

Resenha | Desintegrados(Fragmentados - Vol.2), de Neal Shusterman

2.4.17


A fragmentação tornou-se um grande negócio com poderosos interesses políticos e corporativos em jogo. O governo não quer mais continuar com ela, como também expandi-la.

Cam foi feito inteiramente com as melhores partes de fragmentados e, tecnicamente, ele é um garoto que não existe. Um verdadeiro Frankenstein do futuro, que luta para encontrar sua identidade e se questiona se um ser como ele pode ter alma.

A aguardada sequencia de Fragmentados desafia a suposição de onde começa e termina a vida e o que realmente significa viver.

Editora: Novo Conceito | Número de Páginas: 414 | Adicionar: Skoob

Em Julho de 2015 a Editora Novo Conceito lançou Fragmentados, primeiro volume da série hormônica de Neal Shusterman e em Fevereiro de 2017 Desintegradoso segundo volume foi lançado. 

Para quem ainda não conhece, informo que essa trilogia nos relata sobre uma sociedade em que jovens de 13 a 17 rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, porém segundo o sistema imposto pelo o governo essa fragmentação não é considerado um ato de homicídio, pois os membros e órgãos desses jovens serão repostos só que em alguém que precisa de um transplante. 

No primeiro volume vimos o acaso unir Connor, Lev e Risa, três destinados  a fragmentação lutar contra o sistema que os fragmentaria e neste segundo volume seremos apresentados a Starkey, Miracolina e Cam.


Em pensar que Fragmentados não tenha sido escrito para iniciar uma trilogia me deixa um pouco abismada. Nesta sequência Neal Shusterman surpreendentemente mantém a mesma intensidade de um enredo original sem deixar novamente de abordar assuntos que levam a questionamentos éticos e morais.

Desintegrados possuí uma narração em terceira pessoa dividida por sete partes e em cada uma delas temos diversos pontos de vista repetindo a estrutura narrativa do primeiro volume porém com mais frequência.

"A única maneira de lidar com um mundo sem liberdade é tornar-se tão absolutamente livre que sua própria existência seja um ato de rebeldia." - Albert Camus

Ao iniciar a leitura somos apresentados a  Starkey, Miracolina e Cam.


Starkey é um fragmentário, e embora seus pais não tenham sido os seus verdadeiros ele esperava que antes de assinarem a ordem para sua fragmentação entendessem suas más ações, porém era esperar demais de pessoas que não o desejava. 

Miracolina é uma dizima, nasceu para salvar a vida de seu irmão mais velho e mesmo sabendo seu destino sempre se sentiu abençoada por isso. Com treze anos sabe o que a aguarda, e mesmo que seus pais tenham deixado seu futuro a sua escolha, sua cresça na dizimação é maior.

Cam é um fragmentado, seu corpo é todo composto por fragmentos dos jovens mais inteligentes e talentosos. 

Três jovens distintos que de uma forma magnífica terão seus caminhos entrelaçados aos de Connor, Lev e Risa.


Em Desintegrados mergulhamos mais profundamente nesse núcleo surreal da fragmentação, a ponto de sabermos a real verdade por trás desse interesse político. 

A mentira é camuflada com a falsa verdade da existência de um mundo perfeito.

Neal consegue dar profundidade diante das múltiplas linhas de enredo, apesar de incomodar um pouco essa divisão da narração devido ao grande número de personagens se torna interessante pois acompanhamos a complexidade da realidade de cada um deles, principalmente do personagem Cam.

Cam é único. É a verdade aparentemente medonha do que representa a fragmentação. Formado por fragmentos dos jovens dotados com o mais alto índice de inteligência e talento consegue horrorizar e fascinar, igualmente. Seu desejo para ser aceito se torna tão grande a certo ponto que levá-o a fazer um pedido bastante egoísta. Não havia como prever mas esse pedido viria a mudar novamente o percurso dessa história e não só mostrará a verdade como acrescentará a maturidade que falta para esse mundo ser salvo.

As mensagens subjacentes presentes em Desintegrados  são realmente fascinantes. O que estaríamos dispostos a sacrificar pelos os outros? Quem estaria disposto a uma retomada diante de algo como a fragmentação?

São muitos questionamentos e mesmo que a fragmentação seja um absurdo, diante da nossa atual realidade nesse enredo há mais fatores reais que fictícios e é isso que adiciona à trilogia mais um livro extraordinário. 



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